Ahhhh! O sofrimento de ser mestre de RPG…

Como mestre veterano, acho que posso me chamar assim, afinal mais de 15 anos nesta função deve me render pelo menos esta titulação de veterano. Enfrentei diversos problemas nas mesas que proporcionei aventuras aventurescas (Desculpe, essa é uma estratégia de marketing. Um gancho para divulgar o blog de tirinhas que participo: www.aventurasaventurescas.blogspot.com ). Mas uma coisinha sempre acontece, geralmente com os mesmos jogadores, de tempos em tempos um ou outro acaba por fazer o mesmo, esta coisinha é: A busca pela apelação.

O saudoso Tio Ben Já dizia: “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades.” O homem aranha, que não é tão apelão assim, vive por esta regra, e é famoso pacas. Então por que raios os jogadores insistem em fazer um amontoado de pontos em uma ficha e cismar de chamar isso de personagem?

OVERPOWER, é assim que chamamos estes camaradas. Os caras “criam” personagens sem backgrounds, sem uma história… Parece que o personagem brota do chão ou cai do pé, adulto e com poderes fantásticos sem motivo aparente. Até a deusa Atena que saiu da cabeça de Zeus adulta e de armadura teve uma história para isso ocorrer. Estes jogadores olham as regras e vêem o que é permitido e o que não é em termos de regras e esquecem a coerência das coisas. Criam máquinas de matar vazias, amontoados de pontos como eu disse anteriormente, números e mais números, bolinhas e mais bolinhas, bônus em cima de bônus e ainda insistem em chamar isso de personagem. Até o nome é ridículo. O nome geralmente é o nome de algum herói existente ou personagem de uma série famoso. O personagem é simplesmente uma zombaria.

E, é claro, estes tipos são problemas para o mestre. Estragam a aventura. O mestre tenta oferecer uma boa história e divertir o grupo, mas o dito cujo faz com que seu personagem debulhe a história e ainda se gabe da estratégia criada para realizar as façanhas na aventura. E a diversão do grupo é sacrificada por conta da miraculosa investida fenomenal do personagem de nome Rambo, que é um mago meio homem e meio guaxinim que possui o talento investida estrondorosa que somada a qualidade mirabolante de fazer magia com o pedaço de pau mais próximo e as perícias de usar magia/usar pedaço de pau, venceu o dragão que não tinha como suportar o ataque que causa três vezes mais dano e recupera os HPs de todos os aliados e dá duas vezes mais experiência.

O mestre pode acabar com a apelação em um piscar de olhos, porém vai ter aquele “disse, me disse “que as regras permitiam a criação daquele “personagem” cujo background é o defeito amnésia, então ele tenta adequar ao cenário o personagem. Mesmo que o personagem possa destruir o seu NPC carismático criado exclusivamente para aquela aventura minuciosamente criada em torno de uma trama engenhosamente elaborada. Como encontrar o assassino? Destrói todo mundo! Leia a mente de todos por conta do bônus dado por estar dia. E que aumenta durante a noite! Se bem que os apelões costumam concentrar seus pontos em poder de luta, esquecendo outras habilidades… Afinal, deve-se passar pela cabeça dessa gente que o mundo de aventura do RPG é um vídeo game de luta, adversário pós adversário vão surgindo no nível certinho que o personagem possa enfrentar e evoluir para o próximo. E tem outra, geralmente os pontos de bônus destes personagens são dados graças as desvantagens adquiridas, e estes personagens tem a mania de esquecer estes defeitos que os atrapalham durante a aventura.

Esses jogadores precisam aprender uma lição importante: RPG não se joga para ganhar. As regras são apoio para imaginação. Criar um personagem é contar uma história e não distribuir pontos. Então mestre, converse com seus jogadores, e exija deles a história de seus personagens, garanto que dali você vai tirar ganchos interessantes para colocar novos elementos e enriquecer a aventura, e se for pelo bem da aventura, proíba algumas regras. Não existe maneira errada de jogar RPG. Aliás, existe uma sim, e não tem a ver com as regras, e sim quando o grupo todo não está se divertindo.

Leandro Silvio Martins